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Quando o outro pensa diferente

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Mari Armani Psicóloga clínica, especialista  em psicanálise. @mariarmani.psi
Mari Armani Psicóloga clínica, especialista em psicanálise. @mariarmani.psi

Basta uma conversa em família, uma mensagem no grupo de amigos ou um comentário nas redes sociais para perceber como pensar diferente pode se transformar em motivo de conflito. Em tempos de eleições presidenciais, divergências políticas podem ultrapassar o campo das ideias e atingir vínculos afetivos. Mas por que é tão difícil aceitar que o outro pense de maneira diferente da nossa? Sob a perspectiva psicanalítica, nem sempre reagimos apenas ao que o outro diz, mas também ao que suas palavras despertam em nós. Nossas convicções estão ligadas à história, aos valores e às identificações que constituem nossa identidade. Por isso, uma opinião contrária pode ser sentida como ameaça, despertando angústia e mecanismos de defesa. Em vez de escutar, podemos desqualificar quem discorda, transformando o diálogo em disputa. O cenário político intensifica esse movimento quando nossas escolhas passam a representar pertencimento, segurança e expectativas de futuro. A necessidade de vencer a discussão pode ocupar o lugar da possibilidade de compreender. Isso não significa aceitar discursos violentos ou abrir mão dos próprios valores, mas distinguir divergências de situações que exigem limites. Uma atitude importante é reconhecer o que sentimos antes de reagir. Perguntar de onde vêm nossas certezas e escutar a experiência do outro não exige concordância, mas disposição para compreender. Entre o que ouvimos e a resposta que oferecemos, existe um espaço para refletir e escolher como agir. Quando as divergências provocam sofrimento intenso ou comprometem repetidamente os relacionamentos, a psicoterapia pode ajudar a compreender esses conflitos e construir outras formas de lidar com as diferenças. Conviver não significa pensar igual. Talvez amadurecer emocionalmente seja sustentar nossas convicções sem precisar desqualificar quem pensa diferente. Afinal, o diálogo começa quando reconhecemos que o outro não precisa concordar conosco para ser respeitado.

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