Oncologista explica câncer de pulmão diagnosticado no Papa
Em entrevista profissional detalhou o adenocarcinoma pulmonar, os fatores de risco e as possibilidades de recuperação

O diagnóstico de câncer de pulmão do papa Leão XIV foi tema da entrevista com o médico oncologista Flávio Augusto Ferreira, do departamento de Pesquisa Clínica do Hospital de Amor, no programa A Verdade Total em Tempo Real, da Rádio O Diário Independente FM, no sábado (17). O especialista explicou as características do adenocarcinoma pulmonar, subtipo identificado no pontífice, e destacou a importância do diagnóstico precoce.
Aos 71 anos, o papa foi submetido a uma cirurgia no Hospital Gemelli, em Roma, para a retirada do lobo inferior do pulmão direito. Durante o programa, o médico explicou que o adenocarcinoma é o subtipo mais comum entre os cânceres de pulmão de não pequenas células. Embora esteja associado ao tabagismo, também pode acometer pessoas que nunca fumaram e ter relação com fatores hereditários e síndromes genéticas.
Segundo o oncologista, a avaliação do histórico familiar do pontífice dependeria de informações mais detalhadas sobre os diagnósticos de seus familiares.
Flávio Augusto Ferreira explicou que o câncer de pulmão pode permanecer assintomático nos estágios iniciais, pois o órgão consegue se adaptar à presença de um nódulo sem provocar manifestações perceptíveis. A falta de ar e o cansaço podem aparecer entre os sintomas, mas, muitas vezes, são percebidos quando a doença está mais avançada.
Sobre a cirurgia realizada pelo papa, o médico esclareceu que a indicação do procedimento depende de uma avaliação prévia da função pulmonar. Quando há condições adequadas, muitos pacientes conseguem recuperar uma qualidade de vida próxima à que tinham antes da operação, com o auxílio da reabilitação.
“Quanto mais cedo o diagnóstico do câncer de pulmão é realizado, maior a chance de cura”, afirmou o médico.
A entrevista também abordou os fatores de risco para a doença. Segundo o oncologista, o tabagismo é o principal fator de risco evitável, mas a exposição ocupacional à fumaça e a outros agentes nocivos também merece atenção.
O médico explicou ainda que pessoas com fatores de risco podem ter indicação de rastreamento por tomografia de baixa dose, conforme avaliação médica. No Hospital de Amor, há um programa voltado a pacientes com perfil de risco para o câncer de pulmão.
No sábado, 17 o Papa Leão XIV teve alta hospitalar e já no domingo (18) realizou a tradicional oração do Angelus da janela do Palácio Apostólico.







