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Luto: dor que precisa de tempo

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Mari Armani, psicóloga clínica, especialista em psicanálise. @mariarmani.psi 
Mari Armani, psicóloga clínica, especialista em psicanálise. @mariarmani.psi 

Perdemos pessoas, relacionamentos, empregos, sonhos e versões de nós mesmos. Embora as perdas façam parte da existência, vivemos em uma sociedade que espera que a dor tenha prazo para terminar. O luto, porém, não respeita calendários.

Para a Psicanálise, o luto é um trabalho psíquico: diante da perda, precisamos reconhecer que aquilo que existia não poderá mais ser recuperado da mesma forma. Esse processo exige tempo e implica reorganizar afetos, identidade e projetos de vida.

O luto não acontece apenas diante da morte. Fins de relacionamentos, mudanças, doenças, aposentadorias ou outros rompimentos também podem provocar essa experiência. Por isso, tristeza, alterações no sono, dificuldade de concentração, perda de interesse e sensação de vazio podem fazer parte desse percurso.

Não existe um tempo único para elaborar uma perda. O importante é que, gradualmente, a vida possa voltar a encontrar sentidos, sem que seja necessário apagar o que foi vivido.

A psicoterapia pode oferecer um espaço para transformar a dor em palavra e possibilitar a elaboração da ausência. Afinal, elaborar não significa esquecer. Significa encontrar uma nova maneira de seguir vivendo, levando consigo aquilo que fez parte da própria história.

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