Eco - Série Vícios de Linguagem

Há frases que parecem corretas aos olhos, mas soam estranhas aos ouvidos. Isso acontece quando palavras próximas apresentam terminações iguais ou semelhantes, criando uma repetição sonora que pode tirar a fluidez do enunciado. É o que ocorre na estrutura “Falar em desenvolvimento é pensar em alimento”. Esse fenômeno é chamado de eco e mostra que escrever bem envolve não apenas organizar corretamente as palavras, mas também perceber como elas soam quando reunidas.
A repetição de sons iguais ou semelhantes pode produzir uma dissonância que prejudica a fluidez da frase, mesmo quando suas palavras estão corretamente empregadas. Em “Estadas amazônicas faraônicas, a sequência sonora entre “amazônicas” e “faraônicas” produz uma aproximação perceptível. O mesmo se verifica na frase “Estávamos conscientes de que impacientes não conseguiríamos ser convincentes”, a repetição da partícula "entes" cria o eco. Esses casos mostram que a escolha das palavras deve considerar não apenas seu significado e sua correção gramatical, mas também o resultado sonoro produzido pela combinação.
A atenção à sonoridade permite evitar repetições que possam tornar a expressão menos harmoniosa e contribui para uma escrita mais cuidadosa. Em “Falar em desenvolvimento é pensar em alimento”, por exemplo, a proximidade evidencia a sequência sonora. Contudo, reescrevendo para “Falar em progresso é pensar em alimento”, o sentido é preservado e o efeito eco eliminado. Assim, escrever bem é também se deter a ouvir o que se diz ou se escreve. Até porque algumas combinações passam pela gramática sem qualquer reprovação, mas deixam no ouvido um eco que merece ser revisto.
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie







